Ano novo, a mesma persistência…

Por patrícia nb - raio de seda

Virámos o calendário e eis-nos no primeiro mês de um novo ano, sob o signo iniciador do Inverno no hemisfério norte - Capricórnio. O que marca este primeiro passo mensal? Ano novo, a mesma persistência...

Capricórnio: pés firmes e decididos no presente, a partir do passado

Do ponto de vista zodiacal, a entrada no novo ano civil faz parte do período trimestral preparatório do ano novo zodiacal, que terá início no equinócio de 20 de Março, quando o Sol ingressar o signo de Carneiro e o dia e a noite estiverem em paridade. De passagem por Capricórnio, o Sol dá o primeiro dos três passos que conduzem à expressão energética de um novo ciclo anual e do potencial que vislumbramos e simbolicamente poderemos atribuir a 2026.
Com Capricórnio a tónica é mais colocada no presente em relação com o passado, para um bom fecho do velho ano.
Aquário permitirá, em seguida, sintonizar e intuir aspectos de futuro a partir da conjuntura actual e, finalmente, Peixes trará o necessário aprofundamento sensível e interior para, como um todo, nos abrirmos à energia de renovação do novo ano zodiacal.

Apurar a personalidade, trabalhar para a excelência e deixar obra feita

Janeiro de 2026 distingue-se por uma congregação dos planetas de ciclos mais rápidos em Capricórnio e por duas triplas conjunções neste signo. Sabendo que estes astros são os significadores das componentes mais individuais da personalidade, podemos dizer que Janeiro nos leva a trabalhar mais o elemento Terra em primeira pessoa, isto é, as vertentes objectivas, concretas e práticas da nossa personalidade e experiência pessoal.
Capricórnio corresponde a tudo o que for estrutural para nós ou contribuir para o nosso sentido de conseguimento e realização. Também nos estimula para trabalhar ao nível da determinação, da firmeza, do empenho e da persistência em função de objectivos e compromissos assumidos. Permite-nos crescer, desenvolvendo mais maturidade na relação e no exercício da autoridade, na responsabilização perante nós mesmos e os outros, na capacidade de governarmos a nossa vida em articulação com os aspectos grupais, sociais e comunitários de que fazemos parte. Ensina-nos muito acerca da relação com os nossos próprios limites e de como lidar com adversidades e obstáculos, sob as passadas mais lentas do tempo, no sentido de ultrapassá-los de um modo efectivo e irreversível.
Capricórnio vibra em nós como uma ambição que nos instiga a chegar mais longe e mais alto e não se inibe perante o esforço, a austeridade, a solidão ou o tempo que isso possa implicar. O conhecimento adquirido pela experiência e o estatuto decorrente da realização de objectivos são factores de valorização para a parte capricorniana da nossa psique, que não gosta de pontas soltas, quer atingir a excelência e deixar obra feita. Todos a temos, mesmo quando não existem planetas ou ângulos natais nesse signo, há campos de experiência e etapas de vida que lhe correspondem e, em cada ano, este período mensal energizado pelo Sol em trânsito pelo décimo signo do Zodíaco!

Consolidar o caminho em direcção a novos horizontes, ganhar impulso para o futuro

Mais do que resoluções ou expectativas projectadas no início do ano, faz sentido reconhecer que genuínos novos passos, na prática, não terão sustentação se não se efectivarem ou resolverem os passos precedentes. Janeiro abre essa janela temporal específica para que possamos definir, consolidar ou concluir processos e aprendizagens já activos, especialmente os que surgiram no passado a médio e longo prazo. Nestes residem bases, infraestruturas ou matéria-prima essenciais para o desenvolvimento de algo novo, nem que seja funcionando como plataforma transitória em direcção a uma profunda renovação, cujas bases poderão ser totalmente distintas das que hoje existem. Se a Vida trouxer ou nos pedir um salto em frente, que o caminho percorrido se integre para ser o trampolim que precisamos, conseguindo libertar aquilo que já cumpriu o seu propósito.

Que conjuntura nos é oferecida?

Lembremos: Saturno, planeta regente do signo, está a concluir a sua passagem por Peixes, em curso desde a Primavera de 2023, em grande proximidade de Neptuno. A combinação dos dois leva à culminação de processos emocionalmente impactantes, que surgiram ou sofreram um crescendo desde 2023. Considerando que Neptuno ingressou Peixes em 2011/12, percebemos que alguns deles podem decorrer da há muitos anos para cá, abrangendo mais de 14 anos, o que corresponde ao tempo necessário para Saturno cumprir meio ciclo zodiacal. A mensagem implícita é simples: decorreu tempo suficiente para chegarmos, pela vivência das coisas, a um ponto crítico de queda de véus, percepção do que nos esgota e intoxica e evidenciação do que são os nossos escapismos, dependências e adiamentos. A partir de agora, o que não conseguirmos fazer para mudar esses padrões terá um efeito crescentemente debilitante sobre a nossa vitalidade, individualidade e consciência, tornando-nos mais influenciáveis e vulneráveis perante as grandes correntes colectivas de forças em jogo no contexto global e planetário.
Pela positiva, o presente marca um momento crítico de maior dedicação e entrega ao que nos vem inspirando e guiando internamente, de acréscimo de competências altruístas, de condições de serviço para um bem comum e da capacidade de resposta a ideais e utopias que permitem uma elevação da existência e o aprofundamento espiritual.
A conclusão da passagem destes planetas para Carneiro, conduzirá a um início de ciclo entre os dois, marcado pela energia do grau zero do primeiro signo do Zodíaco, onde formarão a sua conjunção exacta no dia 20 de Fevereiro. É um impulso poderoso no sentido de podermos colectivamente recomeçar e corresponderá certamente ao desenvolvimento de novas tendências colectivas que moldarão as décadas vindouras. Disto falaremos em próximos artigos. O que agora se destaca é o modo como sentimos e nos entregamos à fase final desses percursos longos.

Na primeira quinzena do mês, ao longo dos dias 6 a 9, temos a tripla conjunção Sol, Vénus e Marte, abrangendo a passagem da Lua por Leão, Virgem e Balança. Esta energia possibilita uma concentração da nossa energia e consciência individuais no sentido de aliar qualidade e valor à determinação, firmeza e consequência das nossas acções. Agir de modo reflectido e responsável para que se concretize algo que corresponde à nossa escala de prioridades e que possa contribuir para uma troca mais positiva e construtiva na relação com os outros. Se necessário, retrair e resistir, concentrando energia e recursos. E persistir com paciência para que investimentos importantes feitos no passado não caiam no vazio. A Lua acentua a necessidade de auto-consciência e auto-centragem, de observação crítica para identificar melhoramentos e ajustes necessários e a busca de um reequilíbrio pessoal e ou relacional.

Na segunda quinzena do mês, com a Lua Nova de Capricórnio em conjunção com Mercúrio, as situações e circunstâncias presentes deverão beneficiar da nossa atenção e empenho para melhor compreensão e gestão, para amadurecer ou rever ideias e métodos e para afinar aspectos de comunicação, optimização e flexibilização que favoreçam e simplifiquem a vida num horizonte de médio e longo prazo. A ideia de dar uma continuidade mais estável e forte ao trabalho, tarefas, responsabilidades e compromissos assumidos é útil. Não esquecer que a energia do terceiro decanato do signo acentua a relevância da nossa relação com grupos, sociedade e comunidade, pelo que há o potencial de darmos um contributo mais consistente, responsável e amadurecido nessas esferas da nossa existência. Um exemplo válido é, no caso do nosso país, o modo como nos posicionarmos e agirmos em dia de acto eleitoral, com altíssima probabilidade de uma segunda volta que pedirá uma reiteração ou revisão da intenção de voto.

Uma ideia transversal a todos estes pontos é a procura da melhor expressão de nós mesmos e de sabedoria na gestão das condições que reunimos até este momento, sem nos demitirmos de contemplar uma abertura de novos caminhos para o futuro. E, para quem isto fizer sentido, consolidar a relação com a nossa fonte de mestria interior e a percepção da realidade cósmica e espiritual da existência.

em gratidão à Vida _/\_

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patrícia nazaré barbosa

Activa na vertente de aconselhamento baseado na astrologia psicológica e transpessoal desde 2010. É uma 'astróloga acidental' que deu por si, enquanto tal, decorrendo da sua busca de auto-observação, compreensão e transformação pessoais para além do sistema de crenças que conhecera até então. Iniciou estudos aos 33 anos, a par com a prática como artista plástica, área na qual é licenciada pela FBA-UL. Consolidou a sua formação de base em 2007-2011 (CEIA, João Medeiros), com aprofundamentos posteriores em diversos contextos e estudo contínuo como auto-didacta. Encontra referências complementares no âmbito da Psicologia Jungiana, da Psicosíntese e no enquadramento filosófico-espiritual da Cosmosofia. São a própria prática e a abertura ao nível intuitivo que melhor a têm ensinado a ir ao encontro de quem a consulta mas valoriza bastante os intercâmbios, sinergias e colaborações que vão surgindo junto de outros praticantes e profissionais. [N. Santarém, 1974] É membro da ASPAS e da ISAR.

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