2023, o ano do papagaio

Por patrícia nb - raio de seda

2023, o ano do papagaio

2023 apresenta-se como uma proposta de elevação para a nossa consciência, simbolizada na lunação de Aquário do passado dia 21 de Janeiro. Aqui ficam algumas reflexões acerca deste 'ano do papagaio'. Desde 2021 que pode observar-se maior relevância simbólica das lunações em Aquário relativamente ao ciclo de todo o ano. A partir da observação do caso de 2023, este tema fica aberto para desenvolvimentos futuros.

Porquê considerar o mapa da lunação de 21 de janeiro como significante para o tema de 2023, quando poderíamos observar os mapas do ano novo civil e do ano novo astrológico  – o ingresso do Sol no signo de Carneiro e início da tão conhecida e apreciada Primavera?

A resposta mais sincera será ‘e porque não?’, uma vez que o motivo para tal consideração não foi inicialmente racional ou lógico. Foi algo que se me mostrou assim e que, por estudo e observação desse ‘flash’ hipotético, tenho vindo a entender cada vez melhor. Daí ter apresentado essa perspectiva no evento de colaboração, a convite do Jorge Lancinha, no seu ‘Céu do Mês’ relativo a Fevereiro deste ano.  

Os principais argumentos que podem ir ao encontro dessa intuição estão ligados ao maior “protagonismo” que o signo de Aquário toma no contexto astrológico actual. Temos o processo colectivo significado pelos longos ciclos de conjunções Júpiter-Saturno num determinado elemento (cerca de 200 anos), que agora (desde Dezembro 2020) desenvolve um novo ciclo no elemento Ar, com o seu primeiro passo de 20 anos marcado pela conjunção destes planetas a 0 graus de Aquário. Por outro lado, temos também a transição do planeta Plutão do signo de Capricórnio para Aquário (2023-25), onde permanecerá por 20 anos. A tónica das próximas duas décadas aparece, como vemos, sublinhada por este signo.

capa da apresentação no Céu do Mês de Fevereiro

Voa! Alto como um papagaio

Foi assim que se apresentou o tema para 2023. Se é um papagaio, há potencial para que algo se eleve. O que significa ele? Que estrutura tem? Quem poderá manobrá-lo? Onde e em que condições? Que sentido poderá ter esse processo?

Antes de mais, esclarece-se que a configuração de que se fala aqui está presente no  mapa da lunação de Aquário calculado para Portugal continental. Noutras coordenadas, onde o ascendente não se encontre entre os graus 4 e 14 do signo Virgem, esta característica escapa ao mapa exacto da Lua Nova. No entanto a proposta está lá na mesma, activada umas horas antes ou depois. 

No que diz respeito à interpretação de uma configuração deste tipo, o que importa reter é que estamos perante um circuito de circulação aberta e fluída de energias, no potencial do espectro da luz por inteiro – da mais profunda escuridão e ocultação, até ao brilho mais pleno. Seja o que for, seja em que intensidade for, seja sentido como positivo ou negativo, confortável ou incómodo, o que estiver envolvido nos seus vértices circula consciente e inconscientemente, sem se deter. Neste ano temos como seus pontos-chave (vértices) energias de Terra e Água, ou seja, uma temática ligada a vários aspectos da nossa realidade material e concreta e do foro emocional e interior.

Observemos as condições  em que nos encontramos: a relação com o nosso corpo, o habitat, os bens materiais, quem nos rodeia e convive connosco, o meio envolvente, as outras espécies, os recursos naturais, o ecosistema. Há funcionalidade, estabilidade, viabilidade, capacidade de concretização, adequação às necessidades, gestão sustentável de energia e recursos? E será que temos qualidade e paz,  dentro e fora de nós? Olhemos e sintamos também o lado de dentro, o modo como respondem as nossas emoções ou o que nelas é provocado no contexto concreto em que estamos: sente-se o bem ou o mal-estar psíquico?; ansiedade ou serenidade?; rastilho  curto ou paciente resiliência?; desânimo e desilusão ou aceitação e desapego? medo ou amor?. A que oscilações emocionais e limites psicológicos a Vida agora nos sujeita?

A proposta é desafiante e foi fortemente despoletada, ou intensificada, em certas áreas da nossa existência a partir do Verão de 2022. Algo surpreendente, ou inesperado, particularmente instável, estimulante ou disruptivo, algo estranho, traumático, acidental, revelador ou inédito veio (ou vem em breve) ao nosso encontro. A Vida tenta abrir novos espaços e formatos na existência de todos e de cada um, e muito desse trabalho de actualização, regeneração e recriação não é imediato ou de curto prazo. Todos precisaremos de um pouco mais de três anos (até ao Outono de 2025) para assentar bem os pés num novo chão, assumir novas formas, hábitos ou condições de vida e consolidar as bases de novos empreendimentos. O potencial de tudo isso é libertador mas no plano imediato não é possível prosseguir sem efectuar (ou acolher) mudanças, sem algum desconforto, sem sentir instabilidade, sem insegurança, sem sentir limitações, sem vislumbrar alguns obstáculos. Além disso, o ano é marcado por mudanças energéticas significantes no nível colectivo e transpessoal, que a todos impactam individualmente, com destaque para Plutão, que  inaugura a sua fase de ingresso em Aquário (2023-25), signo onde ficará por cerca de 20 anos, e para Saturno, que ingressa Peixes e transita o signo até 2026. Estes movimentos têm reflexos visíveis a nível político, económico, social, cultural, do conhecimento, das estruturas de poder e em toda a conjuntura que nos envolve a larga escala. (estes e outros temas aqui mencionados irão sendo abordados e desenvolvidos em grupo no projecto ágora)

Perante tudo isto, o que melhor haverá a fazer? Viver. Viver na maior aceitação à própria Vida que pudermos expressar, no maior abraço interior, com o amor mais elevado e a maior gratidão que encontramos em nós. A descoberta é, primeiro que tudo, um processo subjectivo e que cabe a cada pessoa, pois muitas das soluções, ‘receitas’ e ‘poções mágicas’ que já conhecermos, ou que alguém nos pretenda fornecer, poderão não nos servir, perder eficácia a pouco e pouco, ou exigir altos custos, muita energia e tempo para que resultem, adequadamente e em tempo útil, perante a velocidade e a exigência das mudanças em curso. O que o caminho de cada um requer neste momento, tem contornos e ritmos únicos dentro do enquadramento comum, daí que boa parte do que isso implica só possa ser entendida e acedida pelo próprio, ainda que se possa complementar e apoiar também em factores exteriores e junto de outras pessoas, grupos e contextos além da sua esfera individual e subjectiva.

Pelo que vemos neste mapa, elevar algo em nós, alto como um papagaio a voar no céu, com o espírito de quem semeia algo melhor para o futuro e para além de si mesmo, parece fazer sentido! Eis algumas das pistas que nos convida a considerar:

anotações relativas ao mapa da lunação, da apresentação no Céu do Mês de Fevereiro

criar uma estrutura leve,...

Na nossa personalidade – o nosso equipamento tridimensional – o que poderá haver mais leve do que a mente?  Este papagaio requer como base o envolvimento da nossa mente prática, significada por Mercúrio no elemento Terra, num dos seus vértices. É a mente a ferramenta certa para conjugar e articular todos os elementos na sua estrutura e, com eles, elevar-se, providenciando uma visão mais ampla e integrada das situações e conjunturas em que nos encontremos. Vemos que o significador da mente se liga à combinação do ascendente com a parte da fortuna (sempre juntos numa Lua Nova) no signo de Virgem, que simboliza o ‘como’, mostrando algo acerca da atitude e ‘método’ necessários: simplificação; optimização; pragmatismo; viver um dia de cada vez, estando bem presente no presente; procurar justa contenção e proporção em cada situação particular; organização e ritmo no dia a dia; abertura sem expectativas para aprendizagens e auto-aperfeiçoamento; tratar mais de aplicar o conhecimento que já integrámos, percebendo o que é válido ou não na prática, do que acumular mais teorias e conceitos; encontrar a humildade para errar e aprender com o processo, ao ousar sair dos esquemas instituídos e responder a novos padrões e formas, sem destruir o que validarmos e tiver ainda significado no presente, de entre tudo o que trouxermos do passado. O resto é para soltar e, assim, haverá maior leveza.

... resistente...

A resistência advirá, ligada à leveza e ao aerodinamismo, de uma vivência adequada do nível físico, material e concreto das situações neste contexto actual de imprevisibilidade, instabilidade, descontinuidade e de disrupção de velhas estruturas, em simultâneo com a apresentação de estímulos desconhecidos. Isto é, virá de uma boa expressão do grande trígono  entre Mercúrio, o ascendente/parte da fortuna e o Nodo Lunar (acima descritos) e o Nodo Lunar Norte/Urano (mais abaixo), no elemento Terra.

A nossa resiliência está significada, essencialmente, pela resolução da quadratura de Marte, em Gémeos, ao ascendente. Este aspecto mostra uma tensão que perturba a mente, a comunicação, o entendimento e que interfere na nossa funcionalidade e agilidade para nos movermos no dia a dia, confundindo, enervando, distraindo, complicando, desgastando-nos. É oportuno substituir hesitação, dúvida e dispersão por flexibilidade, assumindo responsabilidade para definir escolhas, dispostos a fazer posteriores ajustes ou mudanças; susbtituir a hiperactividade da mente em busca do controlo minucioso das situações, no imediato e a curto prazo, pela maturidade de aceitar processos a médio e longo prazo, com todos os pequenos degraus implicados e com disposição e empenho para trabalhá-los conscientemente. É útil substituir a comunicação agressiva e polarizada pela contenção sábia do discurso, pela capacidade de observação e escuta atenta e desapaixonada,  e por interiorização, reflexão e recolhimento do ‘ruído’ envolvente. Procurar o encontro, nesse silêncio interior, com algum discernimento para reconhecer limites, traçar fronteiras e gerir prioridades na vivência das situações objectivas com que tivermos de lidar. Viver com maior correspondência entre pensamento e acção. Assim seremos mais resistentes ao impacto das adversidades.

e aerodinâmica.

Quanto ao aerodinamismo, é significado pelo eixo dos Nodos Lunares nos signos de Touro-Escorpião e por Urano, em Touro, conjunto ao Nodo Lunar Norte (Cabeça de Dragão), com o apoio de um circuito auxiliar, em signos de Fogo e Ar, formado por Júpiter e Quíron em Carneiro e pelo já mencionado Marte em Gémeos. Esta combinação astrológica, sinaliza os impulsos que todos recebemos para, de alguma maneira, nos expandirmos, dinamizarmos, abrirmos caminhos, fecharmos capítulos, nos fortalecermos e melhorarmos, para seguirmos em frente com energia e coragem e ‘começarmos de novo’ onde algo se tiver esgotado ou tornado inviável. Mostra como isso atinge e intensifica a oscilação das nossas emoções,  ameaçando a qualidade e a estabilidade dos nossos sentimentos. Há um sentimento de urgência e necessidade de acção imediata associados à sensibilização de velhas feridas ou acontecimentos traumáticos que abrem novas vulnerabilidades, acentuam a reactividade, o medo, a violência e todo o espectro negativo das emoções. Algo nos agride, pressiona, invade e viola, acordando respostas instintivas de defesa e luta ou de fuga. E neste frenesim somos nós os nossos próprios agressores, ao mesmo tempo que – sem, em muitos dos casos, ter essa intenção – desferimos duros golpes uns aos outros. Muito deste combate, além do que é literalemente vivido como tal, se desenvolve e cresce na base do que pensamos, como pensamos, do que dizemos, quando e como o dizemos, da tendência automática de nos compararmos, julgarmos e discriminarmos, ao abrigo de conceitos e crenças parciais, limitados ou ambíguos. Na dor da nossa ferida, ferimos os outros. Mas também pode suceder que a luz se liberte e este circuito traumático seja apaziguado e superado, progressivamente, a partir da cura interior e da sua ressonância harmonizadora. Então, na nossa dor, iremos desenvolvendo uma relação mais verdadeira com a essência, descobriremos aptidões e competências para servir e auxiliar os outros, ampliaremos a consciência e abrir-nos-emos intuitivamente a energias elevadas como a fé, a compaixão, o amor desinteressado, a gratidão, a alegria, o discernimento das verdadeiras necessidades e prioridades, a paz interior… Onde estas estiverem, deixa de haver lugar para a expressão da sombra. Então, este mapa também mostra que a esteira do vôo do papagaio poderá ser a sementeira de uma nova vida em maior sintonia com a sua Fonte. O que agora semearmos será o nosso chão mais adiante.  Cada um tem, neste ano, através do que sente e de como exterioriza e manifesta a sua vontade e iniciativa, a definição da sua escolha: o caminho da destruição, do medo e da sombra ou o da regeneração, do amor e da luz. Um ‘Não’ ou um ‘Sim’ à Vida é dado em cada pequena situação do dia-a dia. Precisamos de mais intuição e menos impulsividade, de uma energia elevada de Carneiro: renascer para o espírito.

Urano e o Nodo Lunar Norte tiveram no final de Julho de 2022 a sua conjunção, inaugurando um novo ciclo, de cerca de 15 anos, de abertura e expansão de consciência. Esse é o potencial da intensa ‘corrente eléctrica’ que nos atravessa e que, para já, tendencialmente, descompensa, perturba e irrita, tirando-nos o tapete debaixo dos pés ou disparando-nos, como uma bala, para o futuro. Precipitação, violência, irritabilidade, intolerância, predisposição para acidentes, stress, perturbação do sistema nervoso e endócrino, agravamento de doenças do foro mental e neurológico e disfuncionalidade nos ritmos quotidianos são alguns sintomas observáveis desta conjuntura. Para nos elevarmos e encontrarmos um oásis no deserto ou a providencial costa depois do naufrágio, temos de abrir-nos à cura e aceitar os processos de transformação necessários e a vulnerabilidade implicada, precisamos de enfrentar e atravessar a dor e o medo, de assumir o nosso poder a partir de dentro, superar conflitos e equilibrar as relações de poder com os outros. O Nodo Lunar Sul está em Escorpião e com a entrada de Júpiter em Touro nesta Primavera, o foco prático de crescimento e expansão passa a depender de factores de estabilização, continuidade e qualidade, mais do que do ímpeto de iniciativa e dinamismo sentido desde 2022. E não dispensará um processo intenso de transformação de padrões emocionais, acentuado pelo ingresso de Saturno em Peixes em Março de 2023.

o vôo é uma sinergia.

O potencial de descoberta e amadurecimento de sinergias dentro e fora de nós é significado pela presença de Sol, Lua, Vénus e Saturno em Aquário. É o potencial do vôo, da nossa própria elevação pela elevação e abertura intuitiva da mente, pela coordenação e coerência entre pensamento, emoção e acção, pela convergência e complementaridade entre o eu e o outro, entre nós e os outros. Havendo maior consciencialização e responsabilização pessoais que emancipem, empoderem e autonomizem as pessoas, melhores dinâmicas e contributos sociais, grupais e comunitários poderão surgir. Havendo inteligência, capacidade de visão estratégica e imparcialidade, estruturas poderão ser regeneradas  (Os fios do papagaio são o Saturno em Aquário). Havendo mais auto-centragem, amadurecimento identitário, expressão genuína de si e abertura criativa, crescerá a cooperação e surgirão verdadeiras equipas, orientadas por objectivos abrangentes, libertas de necessidades e desejos imaturos, narcísicos e caprichosos, da competitividade, da ambição do poder, do reconhecimento, do sucesso e da influência sobre os outros. No mapa vemos que, para o potencial da lunação se revelar há que ter em conta a necessidade de reversão da espiral descendente de destruição  e de auto-sabotagem significada pela Lua Negra em Leão, em oposição ao Sol e à Lua, conjuntos a Plutão, no final do seu trânsito por Capricórnio (2008/09 – 2023/24) . Essa reversão será a tensão positiva criada entre o vento e a resistência do papagaio ao ar, que o mantém em vôo. Esta tensão está visivelmente constelada entre aspectos da nossa vontade e movimentos inconscientes que são impactados e influenciados por forças colectivas maiores e hierarquias exteriores de poder, estruturado e legitimado, em pleno exercício e (ab)uso da sua autoridade, versus, o poder (negativamente reprimido, manipulado, anulado e exacerbado ou, positivamente, assumido, exercido, assertivo e resiliente) da identidade, do carisma, da criatividade, da dignidade, da autenticidade e da integridade pessoais. Ocultamente, a tensão remete para o reconhecimento e obediência a um poder e autoridade internos, recebidos subjectivamente, por parte de indivíduos em busca da identificação com o seu princípio espiritual, o que potencia reconhecimento de afinidades com semelhantes e o desenvolvimento de sinergias grupais e colectivas, no sentido de manifestarem padrões inéditos, isto é, de uma expressão criativa no sentido mais amplo do termo.

um pequeno movimento tem consequências amplas.

Também percebemos que o registo de auto-sabotagem, está directamente associado ao agravamento ou abertura de feridas ligadas à acção, autonomia  e iniciativa pessoais (Quíron em Carneiro). Temos lições para aprender e descobertas para fazer relativamente ao contacto e ao exercício de aspectos da polaridade masculina – p.e. exteriorização, afirmação, expansão, projecção, exposição ao conflito, afastamento de obstáculos, exploração, conquista ou defesa de ‘território’, dinamização de iniciativa, etc –  em nós e da gestão do impacto dessa polaridade a partir do que nos é exterior. O amadurecimento e a cura da masculinidade (não se confunda isto com questões de género, que só levam a  mais polarização e conflito, além de se complexificarem com o surgimento de novas ‘catalogações’ e nichos sócio-culturais nas diversas manifestações transgénero) está na ordem do nosso dia para qualquer pessoa, independentemente do seu género e polaridade dominante do ponto de vista psico-físico. O caminho desta cura é direccionado para a pessoa no seu processo identitário, para o ser humano, para o indivíduo enquanto ‘célula’ da humanidade e ‘átomo’ deste planeta, tendo implícita também a cura e o amadurecimento da sua feminilidade – qualidades opostas e complementares, p.e. interiorização, receptividade, inclusão, reflexão, busca de conciliação, busca de afinidades, aprofundamento, qualificação, cuidado e nutrição de ‘habitat’, abertura à cooperação, etc -. A cura vive-se pela reunificação do que foi dividido e o reequilíbrio do que foi desenvolvido em disparidade e confronto. O amadurecimento da individualidade cura o individualismo, tal como o amadurecimento do eu cura o egoísmo. É neste eixo zodiacal identitário, de Aquário-Leão, que encontramos as qualidades para lançar um papagaio e manobrá-lo. Quando estiver bem alto, poderá inspirar, estimular e dar referências para que outros o façam também. Não subestimemos o poder dos pequenos gestos individuais, quando são um genuíno movimento criativo e alinhado com a consciência interior de cada um. Podem parecer actos isolados, estranhos e desenquadrados, mas se tiverem essa qualidade interior acabarão por atraír outros, criando uma rede de afinidades e ressonâncias, uma proximidade qualitativa, uma experiência fraterna, tal como sugere a presença de Vénus em Aquário, ligada à valorização do bem comum acima do bem individual, sem detrimento das particularidades pessoais que se podem articular e enriquecer mutuamente através de objectivos transversais a todos. A elevação dos valores traz consigo outra escala de prioridades, na qual o indivíduo se coloca num papel activo e dinâmico de contribuição para o todo como parte das suas prioridades de topo. E quando estiver bem alto e visível, um pequeno movimento desadequado ou desatento terá também amplo impacto no vôo do papagaio. A responsabilidade e exigência saturninas devem ser bem vividas, como quem manobra atentamente e com perícia os seus fios.

planar em altitude.

Há dois ‘significadores-chave’ para este tema astrológico: Saturno em Aquário e Neptuno em Peixes. De formas distintas, ambos incluem a ideia de que se estamos isolados, fechados, polarizados, intransigentes, adormecidos, intoxicados, insensibilizados, distraídos, apáticos, fantasiosos e alienados, não há elevação ao nosso alcance. Ambos sublinham a importância de redes de relação, contacto, partilha e acção entre indivíduos, de comunidade(s), de círculos sensíveis de proximidade, complementaridade, apoio e assistência na resolução de situações e desenvolvimento de projectos. Juntos, frisam que para haver reestruturação, individual e colectiva, é essencial o exercício da responsabilidade pessoal em articulação com capacidade de compromisso relacional, grupal e colectivo e, também, um profundo mergulho interior na busca de religação com aquilo que inspira ideiais, aspiração, sentido de missão e entrega a um apelo maior do que a sua própria vontade. Simbolizam a importância de procurar uma conexão e integração interiores para encontrar condições de contacto e interacção com experiências em contextos objectivos de cooperação e união entre indivíduos e grupos.  A presença de Vénus junto de Saturno sinaliza que estes são valores e qualidades que devem pautar a nossa conduta e a definição de prioridades ao longo deste ano e que a sustentabilidade dos nossos passos será assim reforçada. Para planar em altitude neste momento não basta a perícia para manobrar os fios – a utopia, a inteligência, estratégia e inovação revolucionárias de Saturno em Aquário -, é preciso aprender como ser aquilo que nos impele interiormente, como fluir nos processos estando em sintonia com o seu propósito oculto, sem desgaste desnecessário, com o mínimo atrito, em equilíbrio – o ‘cálice’ espiritual de Neptuno em Peixes -. Um pássaro que voa está uno com o seu elemento.

Por agora fica apenas sugerida a questão da relevância das lunações em Aquário como indicadores anuais, válida desde 2021, por vários anos. Tema que será aprofundado em próximas ocasiões e certamente retomado em 2024.

Quanto a  2023, aparece aqui  ilustrado por uma das belíssimas gravuras de Hokusai com vistas do Monte Fuji, nesta caso, a que o representa visto a partir de uma rua de Edo (antiga denominação de Tóquio), com a loja Mitsui em primeiro plano. Esta foi a imagem escolhida para a apresentação desse tema no evento de 21 de Janeiro, que vos convido a assistir.

Se tiver interesse em acompanhar e/ou desenvolver temáticas astrológicas actuais em grupo, encontrará uma proposta em aberto no projecto ágora, com início brevemente.

mapear o céu por dentro

Qualquer sentido interior é um sentido para um sentido.

Novalis

raio de seda

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patrícia nazaré barbosa

Activa na vertente de aconselhamento baseado na astrologia psicológica e transpessoal desde 2010. É uma 'astróloga acidental' que deu por si, enquanto tal, decorrendo da sua busca de auto-observação, compreensão e transformação pessoais para além do sistema de crenças que conhecera até então. Iniciou estudos aos 33 anos, a par com a prática como artista plástica, área na qual é licenciada pela FBA-UL. Consolidou a sua formação de base em 2007-2011 (CEIA, João Medeiros), com aprofundamentos posteriores em diversos contextos e estudo contínuo como auto-didacta. Encontra referências complementares no âmbito da Psicologia Jungiana, da Psicosíntese e no enquadramento filosófico-espiritual da Cosmosofia. São a própria prática e a abertura ao nível intuitivo que melhor a têm ensinado a ir ao encontro de quem a consulta mas valoriza bastante os intercâmbios, sinergias e colaborações que vão surgindo junto de outros praticantes e profissionais. [N. Santarém, 1974] É membro da ASPAS e da ISAR.

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