Vénus-Júpiter juntos em Junho. Bondade ou interesse egoísta? A bifurcação acentua-se.

Por patrícia nb - raio de seda

É no dia 09 de Junho, 3ª feira, às 20:58 de Portugal Continental, que se dá o encontro anual Vénus-Júpiter 2026, no 25º grau de Caranguejo.

Esta conjunção reforça ambos planetas, por serem de uma natureza afim e por Júpiter se encontrar numa posição dignificada nesse signo cardinal do elemento água.
Como tudo, desta nossa experiência terrena, cármica e dual, a conjunção fortalecida dos dois astros abre um leque de possibilidades ampliadas cuja expressão poderá ser tanto positiva como negativa, embora a tradição considere ambos como ‘benéficos’.
Poderíamos dizer que as probabilidades de manifestação benigna são mais acentuadas, mas não se pode descartar uma exacerbação jupiteriana de aspectos emocionais e psíquicos negativos. Tudo depende da frequência vibracional, maturidade e consciência da pessoa ou dos elementos do grupo ou colectivo que estejamos a considerar.

um ciclo de possibilidades

Vénus e Júpiter juntos predispõem a processos de desenvolvimento, crescimento, aprendizagem e melhoramento, no ciclo de aproximadamente um ano, até à conjunção de 2027, a 26 de Agosto no signo de Virgem.

Também destacam a convergência e a influência de factores de ordem mais pessoal e individual (Vénus) num âmbito social ou mais abrangente (Júpiter) e vice-versa. O filtro pessoal pode potenciar ou debilitar a receptividade, ligação e contributo individuais na relação com o grupo e o mesmo, inversamente, acontece a partir das tendências, normas e directrizes grupais na relação com o indivíduo, que poderá ver-se incluído e valorizado ou excluído e desvalorizado por esse mesmo grupo.

Do tema, sob um trânsito do Sol e de Urano em Gémeos, espera-se uma evidenciação das dualidades e da separatividade, dentro e fora de nós, especialmente no que diz respeito ao que sentimos, à empatia e aos vínculos que estabelecemos com os outros, bem como, à reactividade inconsciente e subjectiva perante as situações. Como pano de fundo, tendem a crescer o ruído, a agitação, a confusão e a inquietação. Daí a necessidade de procurar reunir, conciliar, apaziguar e resolver dilemas, discórdias e impasses. Precisamos de recuperar e abrandar depois da intensa aceleração do início desta Primavera. Precisamos também de criar novos espaço e foco para rumos futuros e caminhos para a urgência de mudar, criar e começar de novo. As condições para tal implicam, nalgum grau, entendimentos , colaborações, diálogo e convergências, aspectos estes que sem sensibilidade e empatia ficam seriamente comprometidos.

Tudo isto a partir do signo de Caranguejo... Abrem-se perguntas para reflexão e auto-observação:

Acolhemos e somos acolhidos? Protegemos e somos protegidos? Cuidamos e somos cuidados? Nutrimos e somos nutridos? Acarinhamos e somos acarinhados? Tranquilizamos e somos tranquilizados? Acompanhamos e somos acompanhados? Crescemos e aprendemos, ajudando os outros a crescer e a aprender? Semeamos algo são e somos terra fértil para o que a Vida deposita em nós?

Como vivemos e sentimos a relação com o passado, as nossas origens, as raizes, as memórias, a família, os pais, os filhos, a casa e a necessidade de fluxo, preenchimento e segurança emocionais?

Como reagimos sob fragilidade ou dor, medo, carência, cansaço, vulnerabilidade, solidão, debilidade, inexperiência, perda, abandono, rejeição, ameaça, abuso ou agressão?

Como mergulhamos nas nossas águas interiores rumo à pureza da nascente, cruzando tempestades, contra-correntes, sombras, trajectos poluídos, saltando os diques e subindo as cascatas do nosso subconsciente?

As respostas a estas perguntas, ou a busca das mesmas, serão a nossa matéria-prima para esta etapa, aproximadamente anual, de aprendizagem, oportunidade, crescimento e elevação.

[ auto-observação astro ... ]

Os planetas-chave do tema são Vénus em Caranguejo, Lua em Carneiro e Marte em Touro que, mutuamente, são dispositores de todos os astros do mapa.

Que impulsos nos movem? Qual a nossa busca? Que valores nos guiam? O que nos inspira? Que condições criamos para a gestação de um futuro de inovação e regeneração?

Lembremo-nos que, nesta jornada, o planeta Terra é a nossa casa e a humanidade, junto com todos os reinos que o habitam, são a nossa família para lá da esferas mais básicas e óbvias para qualquer pessoa: a sua casa (abrigo, tecto, habitat, lar) e a sua filiação (família, condição, referência, história e posição nos sistemas familiar, relacional e social). Quanto menos egoísta e parcial for a nossa posição, melhor será o contributo e o retorno do que escolhermos fazer. 

Numa leitura luminosa, esta conjunção propõe e atrai-nos para o enaltecimento da bondade através da acção persistente e dirigida, com amor, para algo de qualidade e valor maiores, em alinhamento e fidelidade para com a fonte interior e rumo ao bem comum. Com base numa profunda correspondência e complementaridade entre indivíduo e grupo, derivadas da aliança interior e  fiel do ego e da personalidade de cada um relativamente aos seus núcleos supramentais, supraconscientes e transpessoais, a presença e expressão junto dos outros e no mundo em torno será elevada.

Também importa acolher e processar as vivências passadas, para destas sintetizar aprendizagens, valorização e uma melhor distinção entre padrões tóxicos e padrões saudáveis. Os mais saudáveis estarão fundados na inteligência emocional e na capacidade introspectiva desenvolvidas até agora, que deverão ser consolidadas. Um dos sintomas positivos será sentir serenidade e neutralidade sem perder o contacto, a ligação e a empatia com as pessoas e a esfera envolventes.

No seu extremo mais sombrio, Vénus conjunta a Júpiter em Caranguejo corresponde a imaturidade, infantilidade, apego e fixação no passado, nas memórias, usos e costumes de outrora ou valores preconceituosos e desactualizados, podendo conduzir a nostalgias depressivas ou explosões irascíveis, saudosismos e revivalismos ‘bafientos’, ressentimentos e ‘ressurreição de múmias’ e perpetuação de relações tóxicas. Simboliza um movimento de retrocesso com eco em todos os campos: relações pessoais, familiares, sociais e grupais, na cultura e artes, conhecimento e educação, sociedade, política, economia, religião… 
Também acentua a dependência e a corrupção dentro de esferas de protecção, interesse e influência em distintas escalas: os conhecidos favoritismos, conivências e proteccionismos de ordem pessoal, os conluios de alianças de conveniência, os ‘tachos’ e ‘capelinhas’ dos lobbies (cada vez mais globalizados) e diversos tipos de identificação e fidelização tipo ‘clã’, ‘tribo’ ou ‘seita’: os adeptos e clubistas, os fãs e fanáticos, os seguidores acríticos, os bairristas, os nacionalistas e todo o tipo de polarizações grupais de base racial, étnica, religiosa, de género, ideológica, económica e outras.
Tudo isto constitui uma expressão de baixa qualidade, ética duvidosa e eco negativo, através de um  alinhamento obscuro, ambíguo ou contraditório, no qual as decisões, iniciativas e acções conduzem a assimetrias e conflitos. Sentidas com impaciência, crueza e parcialidade, essas serão dinamizadas numa tática de busca de vitória ou controlo através de inflexibilidade, insistência e desgaste sobre o(s) outro(s) (o diferente, o estranho, o opositor, o adversário, o desconhecido…). Tudo isto é duramente contraposto pela resistência continuada e a resiliência possível por parte da facção ou facções opostas, muitas vezes compostas pelos que estão em condição mais desfavorável.

[ auto-observação astro ... ]

Que o brilho redobrado destes dois planetas, juntos no céu de Junho, nos inspire simbolicamente para escolher a via luminosa, persistindo na busca de elevação da qualidade e afinação do alinhamento com a nossa consciência interna, em tudo o que fazemos, sentimos e pensamos.

Abraço em gratidão à Vida _/\_

mapear o céu por dentro

Qualquer sentido interior é um sentido para um sentido.

Novalis

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patrícia nazaré barbosa

Activa na vertente de aconselhamento baseado na astrologia psicológica e transpessoal desde 2010. É uma 'astróloga acidental' que deu por si, enquanto tal, decorrendo da sua busca de auto-observação, compreensão e transformação pessoais para além do sistema de crenças que conhecera até então. Iniciou estudos aos 33 anos, a par com a prática como artista plástica, área na qual é licenciada pela FBA-UL. Consolidou a sua formação de base em 2007-2011 (CEIA, João Medeiros), com aprofundamentos posteriores em diversos contextos e estudo contínuo como auto-didacta. Encontra referências complementares no âmbito da Psicologia Jungiana, da Psicosíntese e no enquadramento filosófico-espiritual da Cosmosofia. São a própria prática e a abertura ao nível intuitivo que melhor a têm ensinado a ir ao encontro de quem a consulta mas valoriza bastante os intercâmbios, sinergias e colaborações que vão surgindo junto de outros praticantes e profissionais. [N. Santarém, 1974] É membro da ASPAS e da ISAR.

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