os dois pratos da Balança – Lua Nova de Setembro

Por patrícia nb - raio de seda

hoje, ao 12:10, inicia-se um novo ciclo de lunação com a conjunção da Lua e do Sol (Lua Nova) a 4º do signo de Balança.

relembrando que a Lua Nova é uma fase de potência e semente de algo que se tornará mais objectivo e visível na fase da Lua Cheia, vou falar-vos do que esta energia de Balança nos propõe.

o signo de Balança começa no Equinócio do Outono (ver post anterior) num diálogo equitativo entre luz e sombra, dia e noite, Sol e Lua. o tema do equilíbrio e da consciência do outro, nosso oposto e complementar é muito presente. daí, e enquanto signo do elemento Ar, Balança reclama questões de diálogo, relacionamentos e através destas dinâmicas, uma busca de justiça, verdade e harmonia na nossa vida.  A medida justa, o peso adequado, a proporção harmónica. É uma energia Cardinal, o que implica acção, dinamismo e expressão dos nossos afectos e valores (o regente deste signo é Vénus). mas (como todos os que tenham este signo muito presente no seu mapa natal com certeza sentem) para viver esta ‘dança’ são precisos pelo menos dois! e será que os outros seguem o mesmo compasso? aqui surge a questão das adaptações, concessões e compromissos que a nossa percepção do outro torna tão importantes. porque a última coisa que a energia de Balança busca é o conflito…

grande desafio! e esta Lua Nova é especialmente desafiante. nada melhor que pensar numa tradicional balança de dois pratos para compreender melhor o potencial do ciclo mensal que hoje se inicia :

num dos pratos estão a maior parte dos planetas em trânsito neste momento : Sol. Lua e Mercúrio (conjuntos) e também Vénus e Saturno (conjuntos) em Balança. um prato bem cheio. só que no outro está Úrano em Carneiro. e este planeta, fazendo parte dos mais lentos e distantes do sistema solar, tem bastante peso e impacto em questões sociais, globais, geracionais.

em linguagem ‘comum’ temos de um lado estamos nós (Sol), a nossa consciência (integração Sol e Lua) e a comunicação e ligações que estabelecemos com os outros (Mercúrio). um momento especialmente dinâmico de interacção pessoal e social. temos igualmente o forte compromisso e estruturação gradual (Saturno) com aquilo e aqueles que valorizamos (Vénus). do outro está uma forte apelo de autonomia, individualidade e rebeldia. de ruptura com a norma e inovação. está o clima actual de contestação social, a imprevisibilidade, nervosismo e acentuação de comportamentos algo erráticos mas também pioneiros assentes na urgência de liberdade de acção e de expressão.

neste segundo prato da balança, estamos nós também só que aqui a postura é de afirmação individual e essa parece pôr em causa o nosso papel dentro de um grupo. será que não nos sentimos todos um pouco ‘fora do baralho’ de algum modo? desajustados? muito à frente, ao lado, atrás…?! estamos colectivamente ‘electrizados’ por esta energia uraniana, o que pode ser mesmo parecido com ter apanhado um choque eléctrico, sentir aquele formigueiro todo no corpo inteiro e ter algum receio de tocar seja quem fôr! clima revolucionário, de mudanças rápidas.

qual a conciliação possível? – pergunta-nos este ciclo de lunação.

a nossa balança está pousada num terreno, por assim dizer, sísmico. Plutão em trânsito no signo de Capricórnio desde o final de 2008. e vocês sabem bem o que isto é mesmo se não souberem nada de astrologia – é o colapso das estruturas do poder político e económico a uma escala global, é a decadência do materialismo, a instabilidade e os conflitos da sociedade em crise, a descoberta crescente de escândalos e corrupção, por aí fora. tudo potenciado pelos avanços da tecnologia e dos meios de comunicação. a internet, as redes sociais… uma balança em terreno instável tem dificuldade em pesar os seus pratos com exactidão.

colectivo ou individual? compromisso ou ruptura? paz ou revolução? dança ou luta?

todos, de alguma maneira, estamos a viver esta dualidade, algo que uma análise personalizada do mapa natal pode ajudar a entender. falando genericamente, o caminho passa por ‘e’ :

colectivo e individual,  compromisso e ruptura, paz e revolução, dança e luta.

uma dinâmica de cooperação e verdadeiramente colectiva só é possível agregando indivíduos conscientes do seu papel e valor pessoais.

um compromisso sólido só acontece quando rompemos com padrões de relacionamento disfuncionais.

a paz vem da ruptura com o conformismo.

acabaram-se as ‘danças da corte’ , para encontrar o tal compasso comum vai ser preciso desafio e confrontação. um pouco de capoeira?!

nesta lunação há um planeta que pode ajudar a pôr acção num processo de integração ou inviabilizar todos os esforços nesse sentido : Marte, a transitar actualmente o signo de Leão. aqui todos somos ‘agentes’ :

activos, afirmativos, decididos,confiantes, corajosos, fortes, generosos e conscientes do nosso brilho pessoal podemos ser construtivos

impulsivos, impositivos, inflexíveis, orgulhosos, inseguros, ofensivos, egocêntricos e inconscientes da nossa identidade podemos ser destrutivos

a escolha é nossa e o equilíbrio do lado luz e lado sombra é o caminho que percorremos. não é confortável nem seguro mas é a aprendizagem que daí tiramos que nos vai trazer paz interior (Júpiter em Touro)

Na Lua cheia de Outubro cá estaremos para ver o que diz a Balança… e , já agora, os melhores pesos que temos para usar são o sentido de responsabilidade pessoal e compromisso para com o grupo, a sociedade e os valores que consideramos realmente válidos (Vénus conjunta a Saturno em Balança, ambos numa posição dignificada). Lembrem-se deles 😉

boa lunação.